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Carnaval
O carnaval de Salvador 2009 foi o carnaval da discriminação racial, que muitos soteropolitanos fazem questão de ocultar e negar.
A discriminação no carnaval de Salvador
Mas o carnaval de Salvador também pode ser considerado o carnaval da discriminação racial.
Neste ano de 2009, faltando pouco mais de uma semana para o início da "maior festa popular do mundo" (como costumam afirmar, modestamente, os baianos), apenas 30% das vagas oferecidas para cordeiros foram preenchidas.
Entenda-se: cordeiros são aquelas pessoas (homens e mulheres) encarregadas de carregar as cordas que protegem os integrantes dos blocos carnavalescos. Normalmente, os cordeiros são os párias da sociedade baiana: afro-descendentes, analfabetos, pobres da periferia desta "cidade da alegria" que, por R$ 23,00 por dia (diária proposta pelos donos dos blocos para o carnaval de Salvador 2009), darão proteção aos foliões (baianos e turistas) dos blocos.
Além disso, os blocos afro (ou pelo menos aqueles sem grande destaque na mídia festiva brasileira) e outras entidades carnavalescas relevantes para a cultura local, mas sem apoio dos órgão governamentais, são discriminados. Estes são obrigados a desfilarem às altas horas da madrugada, longe dos holofotes e das câmeras de TV, pois compõem parte da cidade que muitos não reconhecem.
Assim é o carnaval midiático de Salvador, Bahia: de qualidade musical duvidosa, excludente, violento e revelador da discriminação racial latente durante os demais dias do ano.